A possível descoberta de um enorme tesouro enterrado por piratas na ilha chilena de Robinson Crusoé, no início do século XVIII, motivou uma verdadeira "febre do ouro" na região, e agora as autoridades, os moradores e a empresa que diz tê-lo encontrado disputam a propriedade.
A euforia começou há dois dias, quando a empresa de segurança Wagner anunciou que - graças a um robô que pode detectar metais e determinar sua composição química - finalmente havia descoberto a localização do lendário tesouro, que conteria cerca de 800 toneladas de ouro e jóias, entre elas dois anéis papais e uma jóia mística conhecida como "A rosa dos ventos".
Mesmo que a descoberta ainda não tenha sido confirmada, o anúncio causou comoção aos cerca de 600 habitantes de Robinson Crusoé, uma das três ilhas que formam o arquipélago Juan Fernández, a 700 quilômetros no litoral oeste do Chile, com economia baseada principalmente na pesca da lagosta. A ilha de Robinson Crusoé possui uma superfície de 96 km2, e o conjunto das três ilhas, 147 km2.
"Todos comentam a notícia e especulam o que poderia ser feito com o dinheiro", disse Carlos Satto, diretor interino do Departamento de Turismo, Cultura e Relações Públicas do município de Juan Fernández.
O prefeito da ilha, Leopoldo González, pediu aos habitantes de Robinson Crusoé que tenham calma. A ilha leva esse nome em homenagem ao personagem do romance de Daniel Defoe sobre o naufrágio e as aventuras do marinheiro Alejandro Selkirk. "Ainda não informaram o lugar exato, só revelaram a região, por isso é cedo para começar a sonhar", disse o prefeito, lembrando as frustradas expedições anteriores.
A localização exata da descoberta é mantida em segredo, à espera de que as autoridades nacionais autorizem a empresa Wagner a iniciar as escavações. De acordo com o prefeito, por enquanto, "é melhor que não se saiba. Se não, estariam todos fazendo buracos com pás", acrescentou.
Só se sabe que o tesouro, avaliado inicialmente em cerca de 10 bilhões de dólares, estaria nos arredores da região denominada "Tres Puntas", de acordo com as coordenadas fornecidas pelo moderno robô que realizou a façanha.
Porém, antes das esperadas escavações surgiu a controvérsia sobre a propriedade da fortuna que, de acordo com dois artigos das leis chilenas, deveria ser dividida em partes iguais entre o descobridor e o Estado ou ficar todo nas mãos do fisco. "A lei que rege nestes casos é a de Monumentos Nacionais, que estabelece que os bens são do Estado", disse de forma categórica o ministro da Educação, Sergio Bitar.
No entanto, os diretores da empresa Wagner frisaram que outra lei dá a eles o direito de ficar com a metade do tesouro, que planejam doar ao município do arquipélago de Juan Fernández e a instituições beneficentes. A empresa assegura que se beneficiará apenas com a publicidade que adquirir o robô que protagoniza a descoberta.
O prefeito González concordou com a empresa Wagner, mas disse que a outra metade do tesouro deveria ficar com os habitantes de sua ilha. Se o valor estimado do tesouro for correto e este for repartido entre os 600 habitantes do território insular, cada um receberá cerca de US$ 17 milhões.
O tesouro, segundo conta a lenda, foi levado até o litoral chileno pelos corsários que cruzaram o Pacífico, e o navegador espanhol Juan Esteban Ubilla y Echeverría o escondeu na ilha em 1715. Ainda de acordo com a lenda, as jóias e moedas de ouro foram desenterradas e escondidas em outra região da ilha pelo marinheiro inglês Cornelius Webb, sem que até agora ninguém tenha desvendado o mistério.
A euforia começou há dois dias, quando a empresa de segurança Wagner anunciou que - graças a um robô que pode detectar metais e determinar sua composição química - finalmente havia descoberto a localização do lendário tesouro, que conteria cerca de 800 toneladas de ouro e jóias, entre elas dois anéis papais e uma jóia mística conhecida como "A rosa dos ventos".
Mesmo que a descoberta ainda não tenha sido confirmada, o anúncio causou comoção aos cerca de 600 habitantes de Robinson Crusoé, uma das três ilhas que formam o arquipélago Juan Fernández, a 700 quilômetros no litoral oeste do Chile, com economia baseada principalmente na pesca da lagosta. A ilha de Robinson Crusoé possui uma superfície de 96 km2, e o conjunto das três ilhas, 147 km2.
"Todos comentam a notícia e especulam o que poderia ser feito com o dinheiro", disse Carlos Satto, diretor interino do Departamento de Turismo, Cultura e Relações Públicas do município de Juan Fernández.
O prefeito da ilha, Leopoldo González, pediu aos habitantes de Robinson Crusoé que tenham calma. A ilha leva esse nome em homenagem ao personagem do romance de Daniel Defoe sobre o naufrágio e as aventuras do marinheiro Alejandro Selkirk. "Ainda não informaram o lugar exato, só revelaram a região, por isso é cedo para começar a sonhar", disse o prefeito, lembrando as frustradas expedições anteriores.
A localização exata da descoberta é mantida em segredo, à espera de que as autoridades nacionais autorizem a empresa Wagner a iniciar as escavações. De acordo com o prefeito, por enquanto, "é melhor que não se saiba. Se não, estariam todos fazendo buracos com pás", acrescentou.
Só se sabe que o tesouro, avaliado inicialmente em cerca de 10 bilhões de dólares, estaria nos arredores da região denominada "Tres Puntas", de acordo com as coordenadas fornecidas pelo moderno robô que realizou a façanha.
Porém, antes das esperadas escavações surgiu a controvérsia sobre a propriedade da fortuna que, de acordo com dois artigos das leis chilenas, deveria ser dividida em partes iguais entre o descobridor e o Estado ou ficar todo nas mãos do fisco. "A lei que rege nestes casos é a de Monumentos Nacionais, que estabelece que os bens são do Estado", disse de forma categórica o ministro da Educação, Sergio Bitar.
No entanto, os diretores da empresa Wagner frisaram que outra lei dá a eles o direito de ficar com a metade do tesouro, que planejam doar ao município do arquipélago de Juan Fernández e a instituições beneficentes. A empresa assegura que se beneficiará apenas com a publicidade que adquirir o robô que protagoniza a descoberta.
O prefeito González concordou com a empresa Wagner, mas disse que a outra metade do tesouro deveria ficar com os habitantes de sua ilha. Se o valor estimado do tesouro for correto e este for repartido entre os 600 habitantes do território insular, cada um receberá cerca de US$ 17 milhões.
O tesouro, segundo conta a lenda, foi levado até o litoral chileno pelos corsários que cruzaram o Pacífico, e o navegador espanhol Juan Esteban Ubilla y Echeverría o escondeu na ilha em 1715. Ainda de acordo com a lenda, as jóias e moedas de ouro foram desenterradas e escondidas em outra região da ilha pelo marinheiro inglês Cornelius Webb, sem que até agora ninguém tenha desvendado o mistério.
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Minha mãe tinha razão. A vida era difícil e trabalhosa. Mesmo com o mar sereno e o dia lindo, serviços não faltavam, um atrás do outro.
Um dia encontrei um velho capitão que costumava viajar pela costa da África. Conversamos e ele gostou de mim. "Meu navio vai para a África negociar. Levo um carregamento para negociar com os negros." Dez dias depois estávamos em pleno mar. O capitão ensinou-me muitas coisas. Como o piloto dirige o navio e como se faz uso da bússola. Por muitos dias só tivemos bom tempo. O navio navegava firme, tudo parecia indicar que a viagem seria das mais felizes.
Uma violenta tempestade veio de sudoeste. Nunca vi tempestade mais furiosa. Dias e dias fomos arrastados para o mar afora, esperando a todo momento um fim terrível. A tempestade crescia de violência. No décimo terceiro dia, pela manhã, um marinheiro gritou: "Terra à vista!" Corri ao convés para ver, mas justamente nesse momento, o navio bateu num banco de areia e ficou imóvel. Estava encalhado.
Tinha passado de meio-dia. O sol brilhava no céu. A tempestade cessara. Minhas roupas estavam encharcadas. Sentei-me ao sol, para secá-las. Não tinha o que comer ou beber. Tinha comigo um canivete, um cachimbo e um pedaço de fumo. Chorei como uma criança. O sol foi desaparecendo. Era noite. Nunca me senti tão só, tão desamparado. E se houver feras por aqui! Virão atacar-me durante a noite. A pouca distância havia uma frondosa árvore e rente um pequenino riacho de água pura. Matei a sede, depois trepei na árvore. Seus galhos eram forquilhas bem abertas, de modo que pude ajeitar-me entre eles. Com o canivete cortei um porrete de um metro de comprimento para defender-me de algum ataque noturno. A escuridão era profunda. O único rumor era o das ondas a baterem nos rochedos. Como estava muito cansado, dormi o sono mais profundo de minha vida.
Quando acordei, era dia velho. O sol estava alto. O céu azul, o ar de uma pureza única. Desci do meu poleiro e fui examinar o mar. O navio estava mais perto da praia. A maré o havia trazido, encalhando-o novamente nos recifes. Meti-me pela água e fui a nado até o navio. Pareceu-me impossível, trepar por aquele liso casco. Vi um pedaço de corda que pendia e agarrei-me a ela e em pouco achei-me dentro do navio.
Havia muita água no porão. Felizmente as cabinas e a dispensa estavam secas, com muitas caixas de mantimentos em perfeito estado. Minha fome era grande. Muita coisa vi lá dentro de muito valor para mim em terra, mas como levá-las só por meio de uma jangada? Ajuntei alguns paus, tábuas e pedaços de corda e tratei de amarrá-los, uns junto aos outros de modo a formar uma jangada. Atei nela a minha corda e lancei-a ao mar. Boiou perfeitamente. Arranjei alguns caixões. Pus mantimentos, biscoitos, farinha, arroz, queijo, carne-seca e bolachas. Amarrei-os em uma forte corda e desci-os para a jangada. Outro enchi-o com roupas e na última hora, ainda joguei nele um saquinho de sementes de trigo. Depois dei com uma caixa de ferramentas, pregos e martelo e outros apetrechos. Lembrei-me do meu medo das feras e procurei armas. Na cabina do capitão encontrei duas boas espingardas, um par de pistolas, um facão meio enferrujado e e ainda duas espadas. Desamarrei a jangada e o vento e as ondas ajudara-me a ir vagarosamente para a praia.
Deitei-me, e nessa noite inteira a tempestade rugiu lá fora. De repente, a chuva serenou e como sempre o meu primeiro olhar foi para o navio, a ver se continuava no mesmo lugar. Não existia o menor sinal do navio. A tempestade o havia destruído durante a noite. Comecei a me preocupar com as feras. Também tinha receio de que me aparecessem índios ferozes ou canibais. Era preciso prevenir-me contra esses perigos. Para tal, o bom seria construir um pequeno forte que me servisse de morada. Procurei um lugar ideal na chapada de um monte. Primeiro risquei no chão um cercado. Depois cortei madeira e fui fincando postes bem juntos para cercar. Depois trancei as estacas com as cordas trazidas do navio. Não fiz portas, para entrar ou sair. Fiz uma pequena escada, que depois de servir para subir, era mudada para o outro lado e servia para descer. Ali dentro, guardei os meus ricos salvados.
Um dia descobri na ilha um bando de cabritos. Foi um dia feliz. Iria ter carne e leite também. Atirei em um pássaro grande que se empoleirava em uma árvore próxima. O tiro foi certeiro e nessa tarde o jantar foi de ave assada. Como estava gostoso, não sei se foi pela fome, só sei que muito pouco sobrou para o gato. Na cabina do capitão encontrei tinta e papel. Havia mapas e uma bússola, três ou quatro livros sobre navegação, bem como uma Bíblia que me foi útil. Com a tinta e o papel comecei a escrever diariamente tudo o que se passava. Depois que terminei o meu castelo, coberto de panos de vela do navio, vi que faltava mobília. Para uma mesa e uma cadeira aproveitei as tábuas que vieram do navio. Tudo levava muito tempo, mas servia para encher a imensidão de tempo de que dispunha.
Agradou-me tanto aquele vale, que resolvi construir uma casinha que me servisse no verão. Ali vinha passar dois ou três dias de recreio. Fiz um varal de cachos de uvas ao sol e levei-as para o castelo. Fui ajuntando comestíveis para o inverno. O frio ali era pouco, em compensação era um chover que não tinha fim. Durante semanas fiquei sem poder botar o nariz para fora. Minha provisão de alimentos começou a minguar e um dia, apesar da chuva, tive que sair para abater um cabrito. Fazia um ano que eu estava ali naquela solidão. Pus-me a pensar como marcar o tempo que ali estaria. Plantei um alto poste no terreiro. No alto gravei em letras grandes estas palavras : Aqui cheguei no dia 30 de setembro de 1.659. Cada manhã, dava um corte na madeira, partindo do alto para baixo. Os domingos marcava com um corte mais comprido, e os meses, com um ainda mais longo. Meu calendário era aquilo. Certa manhã, notei que já havia feito 365 cortes na madeira. Um ano justo. E dava graças a Deus de me ter conservado em boa segurança no meio de tantos perigos, tendo já a experiência de que na ilha existiam só duas estações: estação das águas e estação das secas.
Um dia antes de começarem as chuvas, ao arrumar as minhas coisas, dei com o saquinho de sementes trazido de bordo, completamente vazio. Os ratos haviam dado cabo dele, só deixaram no fundo umas pitadas de farelo. Fui sacudi-lo fora. Um mês depois, notei que no lugar onde sacudira o saquinho, estava crescendo uns pés de uma erva diferente das outras naturais dali. Tomei cuidado para que crescesse em paz. Cresceu até a minha cintura. E deitou cachos. Só então percebi que era trigo. A colheita ia ser de 12 espigas que me forneceriam os grãos necessários para iniciar a cultura de trigo na ilha. Tinha acontecido lá uma coisa curiosa. Os paus que fiz a cerca eram verdes e, em vez de secarem, criaram raízes e brotaram. Pude guiar os brotos para o centro do cercado e amarrá-los num poste alto que lá finquei. Desse modo, consegui um caramanchão bem lindo, que ficou um verdadeiro ninho de verdura. Que prazer nos dias da estação seca.







Tenho que pular muitas coisas que aconteceram nestes últimos tempos para que esta história não fique demasiadamente longa. Vou apenas contar o grande acontecimento que se deu, para encerrar a fase de minha vida na ilha. Foi assim. Eu ainda estava dormindo, quando fui despertado pelos gritos de Sexta-Feira lá fora.
Em seguida todos os marinheiros se espalharam pela ilha. Muito bem, pensei comigo. A maré montante, leva muitas horas para vir. Nesse intervalo, terei muito tempo para saber o que querem aqui. Preparei as espingardas. E pus-me a esperar a noite. Sexta- Feira, vamos sair e ver o que se passa. Não nos viram chegar. Plantei-me diante deles e disse: Quem são vocês? Nunca vi maior surpresa estampada em faces humanas. Pularam de pé. Tinham perdido a voz de susto. Não se assustem. Sou amigo. Venho trazer-lhes auxilio. Então - disse um deles - deve ter caído do céu, porque só do céu nos poderia vir socorro neste momento. Sou inglês - expliquei - e estou pronto a auxiliar vocês. Tenho um servo índio, bem armado. Conte-me depressa o que há.
Na manhã seguinte, dormi até tarde para reparar as forças e acalmar-me das fortes emoções da véspera. Em seguida ouvi alguém chamando: Governador, governador. Era a voz do capitão. Corri ao seu encontro. O bom homem apontou para o mar. Olhe, perto da praia está o navio. Meu caro amigo, disse ele. Eis o nosso navio. Podemos embarcar. Minha emoção era grande. Nada pude responder. Abracei-o. Por fim, um acesso de lágrimas me tomou e chorei como uma criança. Logo que me acalmei, o capitão disse-me que me havia trazido um presente. Gritou para os marinheiros: Tragam o presente do governador. Os marinheiros trouxeram uma arca de madeira. Depositaram-na aos meus pés. O capitão fez um gesto de que a abrisse e me servisse. Assim fiz. Encontrei lá, duas libras de fumo, doces enlatados, garrafas de suco de laranja. Mas no fundo é que estava a grande surpresa sob a forma de seis camisas novas, seis gravatas de seda, dois pares de luvas, um par de sapatos, meias, um chapéu e um lindo terno de roupa. Podia vestir-me de gente outra vez. Mas havia tantos anos que não usava aquelas coisas que me senti desajeitado. Quando me apresentei com os meus novos trajes. O pobre Sexta-Feira não me reconheceu. No dia seguinte, tudo ficou pronto para a partida.
Assim, a 19 de dezembro de 1.687, partimos para a Inglaterra, tendo eu estado na ilha, 28 anos, dois meses e 19 dias. Levei o gorro de pele de cabra, o famoso guarda-sol. O papagaio também. Um outro papagaio, pois o primeiro,Pool, havia morrido. Quanto a Sexta-Feira, nada no mundo o faria separar-se de mim. Foi também. Tivemos viagem demorada e difícil, mas a 19 de junho alcançamos Londres. Estava em casa. Estava finalmente em minha terra. Corri a Iorque. Meus pais estavam mortos, havia longo tempo. Os amigos da juventude já não se recordavam de mim. Achei-me só no mundo. Que iria fazer?