terça-feira, 17 de março de 2009

O poema da paz

0 dia mais belo? Hoje
A coisa mais fácil? Equivocar-se
O obstáculo maior? 0 medo
0 erro maior? Abandonar-se
A raiz de todos os males? 0 egoísmo
A distração mais bela? 0 trabalho
A pior derrota? 0 desalento
Os melhores professores? As crianças
A primeira necessidade? Comunicar-se
0 que mais faz feliz? Ser útil aos demais
0 mistério maior? A morte
0 pior defeito? 0 mau humor
A coisa mais perigosa? A mentira
0 sentimento pior? 0 rancor
0 presente mais belo? 0 perdão
0 mais imprescindível? 0 lar
A estrada mais rápida? 0 caminho correto
A sensação mais grata? A paz interior
0 resguardo mais eficaz? 0 sorriso
0 melhor remédio? 0 otimismo
A maior satisfação? 0 dever cumprido
A força mais potente do mundo? A fé
As pessoas mais necessárias? Os pais
A coisa mais bela de todas? 0 amor

segunda-feira, 9 de março de 2009

Tesouro cria disputa na ilha Robinson Crusoé

26 de setembro de 2005

A possível descoberta de um enorme tesouro enterrado por piratas na ilha chilena de Robinson Crusoé, no início do século XVIII, motivou uma verdadeira "febre do ouro" na região, e agora as autoridades, os moradores e a empresa que diz tê-lo encontrado disputam a propriedade.
A euforia começou há dois dias, quando a empresa de segurança Wagner anunciou que - graças a um robô que pode detectar metais e determinar sua composição química - finalmente havia descoberto a localização do lendário tesouro, que conteria cerca de 800 toneladas de ouro e jóias, entre elas dois anéis papais e uma jóia mística conhecida como "A rosa dos ventos".
Mesmo que a descoberta ainda não tenha sido confirmada, o anúncio causou comoção aos cerca de 600 habitantes de Robinson Crusoé, uma das três ilhas que formam o arquipélago Juan Fernández, a 700 quilômetros no litoral oeste do Chile, com economia baseada principalmente na pesca da lagosta. A ilha de Robinson Crusoé possui uma superfície de 96 km2, e o conjunto das três ilhas, 147 km2.
"Todos comentam a notícia e especulam o que poderia ser feito com o dinheiro", disse Carlos Satto, diretor interino do Departamento de Turismo, Cultura e Relações Públicas do município de Juan Fernández.
O prefeito da ilha, Leopoldo González, pediu aos habitantes de Robinson Crusoé que tenham calma. A ilha leva esse nome em homenagem ao personagem do romance de Daniel Defoe sobre o naufrágio e as aventuras do marinheiro Alejandro Selkirk. "Ainda não informaram o lugar exato, só revelaram a região, por isso é cedo para começar a sonhar", disse o prefeito, lembrando as frustradas expedições anteriores.
A localização exata da descoberta é mantida em segredo, à espera de que as autoridades nacionais autorizem a empresa Wagner a iniciar as escavações. De acordo com o prefeito, por enquanto, "é melhor que não se saiba. Se não, estariam todos fazendo buracos com pás", acrescentou.
Só se sabe que o tesouro, avaliado inicialmente em cerca de 10 bilhões de dólares, estaria nos arredores da região denominada "Tres Puntas", de acordo com as coordenadas fornecidas pelo moderno robô que realizou a façanha.
Porém, antes das esperadas escavações surgiu a controvérsia sobre a propriedade da fortuna que, de acordo com dois artigos das leis chilenas, deveria ser dividida em partes iguais entre o descobridor e o Estado ou ficar todo nas mãos do fisco. "A lei que rege nestes casos é a de Monumentos Nacionais, que estabelece que os bens são do Estado", disse de forma categórica o ministro da Educação, Sergio Bitar.
No entanto, os diretores da empresa Wagner frisaram que outra lei dá a eles o direito de ficar com a metade do tesouro, que planejam doar ao município do arquipélago de Juan Fernández e a instituições beneficentes. A empresa assegura que se beneficiará apenas com a publicidade que adquirir o robô que protagoniza a descoberta.
O prefeito González concordou com a empresa Wagner, mas disse que a outra metade do tesouro deveria ficar com os habitantes de sua ilha. Se o valor estimado do tesouro for correto e este for repartido entre os 600 habitantes do território insular, cada um receberá cerca de US$ 17 milhões.
O tesouro, segundo conta a lenda, foi levado até o litoral chileno pelos corsários que cruzaram o Pacífico, e o navegador espanhol Juan Esteban Ubilla y Echeverría o escondeu na ilha em 1715. Ainda de acordo com a lenda, as jóias e moedas de ouro foram desenterradas e escondidas em outra região da ilha pelo marinheiro inglês Cornelius Webb, sem que até agora ninguém tenha desvendado o mistério.
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domingo, 8 de março de 2009

Para se inspirar e ler o livro...

Acompanhe as Aventuras de Robinson Crusoe, do Naufrágio à Vida Numa Ilha Deserta Durante 27 Anos


Com "As Aventuras de Robinson Crusoe", de Daniel Defoe (1660-1731), acompanhamos a aventura de um jovem de 20 anos, que, na Inglaterra de 1652, decidiu rumar contra todas as expectativas dos pais e embarcar na travessia dos mares, numa sequência de peripécias que culminam na estadia de 27 anos numa ilha deserta.
Para escrever o seu livro, Defoe inspirou-se na aventura verídica de um excêntrico escocês de nome Alexander Selkirk, mas polvilha a história com a sua própria imaginação. Ao longo de um dos livros de aventuras de leitura mais leve e breve que alguma vez foi escrito, acompanhamos Robinson Crusoe desde os seus 18 anos, no porto britânico de Hull, até a sua partida, contra a vontade dos pais, com destino a uma vida errante e sonhadora. Robinson quase morre num naufrágio entre Hull e Londres. Mais tarde, sem coragem de regressar a casa, embarca num navio para a Costa da Guiné, mas acaba por ficar escravo de um pirata turco, que o retém cativo no porto de Sallee, durante dois anos.



Um dia, quando é mandado pescar pelo senhor, Crusoe consegue escapar até ser resgatado junto à costa africana por um navio português, cujo capitão o leva para o Brasil.
Robinson Crusoe estabelece-se em Terras de Vera Cruz comprando uma plantação. Ao fim de uns anos, no entanto, propõem-lhe entrar no negócio da escravatura. Mete-se ao mar e volta a ser vítima de um terrível naufrágio, do qual é o único sobrevivente. Nadando em desespero para uma ilha, Crusoe está longe de saber que aí vai permanecer 27 anos. Aos poucos e poucos, refaz a vida com as provisões que retira do navio naufragado, abraçado à crença religiosa e à simplicidade do dia-a-dia. Ao fim de 15 anos, descobre canibais na ilha e, mais tarde, salva uma das suas eventuais vítimas, que passará a viver consigo e a quem chamará Sexta-Feira. A vida eremita de Crusoe terminara, mas não o livro, que, a partir daí, é feito de uma sequência inebriante de acontecimentos.




Daniel Dafoe, nascido em 1660 numa família de presbiterianos, que na época eram perseguidos, foi comerciante, participou numa rebelião contra o rei James II, conheceu a prisão devido aos escritos panfletários que assinou e até foi preso a um pelourinho para onde lhe arremessaram tomates e pedras por defender os presbiterianos. Quis o destino que, apesar dos inúmeros panfletos políticos que escreveu, ficasse eternamente ligado ao romance que publicou em 1719, "As Aventuras de Robinson Crusoe". Escreveu também um livro sobre a vida nas prisões, "Moll Flanders" (1722), mas que não chegou a atingir o mesmo sucesso do anterior.

sábado, 7 de março de 2009

Encontrei esse texto falando sobre o verdadeiro Robinson Crusoé... Tem um vocabulário um pouquinho complicado, mas dá pra entendê-lo bem

Cientistas pesquisam o verdadeiro Robinson Crusoé

Marco Evers

Gerações de crianças ficaram hipnotizadas pelas explorações de Robinson Crusoé, mas poucas pessoas têm consciência da figura da vida real que inspirou o clássico. Agora, 300 anos após ter deixado sua ilha-prisão, cientistas descobriram como o verdadeiro Crusoé conseguiu sobreviver.O que era aquilo? Um fogo queimando em uma ilha deserta do Pacífico Sul? No dia seguinte, o capitão do navio pirata inglês Duke, enviou um grupo armado para ilha para investigar. Quando os homens retornaram, trouxeram duas surpresas: um grande número de lagostas e uma criatura em farrapos.A figura que subiu a bordo do Duke no dia 2 de fevereiro de 1709 aparentemente era humana, mas tão selvagem quanto um animal, descalça e coberta com pele de cabra. A criatura, extremamente agitada, só era capaz de gaguejar poucas palavras, quase incompreensíveis a princípio, mas suficientes para torná-la imortal.Em seu romance, primeiramente publicado em 1719, Daniel Defoe batizou o náufrago de "Robinson Crusoé". Mas o verdadeiro Robinson chamava-se Alexander Selkirk. Era escocês, sétimo filho de um sapateiro de uma aldeia perto de Edimburgo. Ele tinha passado quatro anos e quatro meses em Más a Tierra, ilha varrida pelo vento no arquipélago de Juan Fernandez, a 650 km da costa do Chile. Ele estava tão só quanto um ser humano pode estar. Para Selkirk, não havia o "sexta-feira", personagem que Defoe criou em seu romance.Diferentemente de seu equivalente literário, Selkirk não era um náufrago. Seu capitão simplesmente o abandonou após uma longa briga. Ele deve ter olhado em espanto enquanto seu navio partia no horizonte. Entre os poucos itens que manteve estavam alguns artigos de roupa, uma faca, um machado, um revólver, aparelhos de navegação, uma panela, tabaco e uma Bíblia.No 300º aniversário de sua volta para a sociedade, os cientistas agora podem pintar um quadro claro da existência de Selkirk na ilha. Eles acreditam saber como e onde ele morava, parcialmente por meio de seus objetos recém descobertos. Sua vida após ser resgatado também pôde ser reconstruída, fornecendo um retrato do verdadeiro Robinson que nem sempre é enaltecedor -mas ainda assim típico dos marginais que partiam para os mares naqueles tempos.Selkirk era um pirata bêbado, violento e de pavio curto. Nascido em uma família problemática, fugiu para os mares quando tinha apenas 17 anos. Trabalhando em navios privados no Mediterrâneo e no Caribe, ele roubava espanhóis e franceses. Apesar de não ser burro e ter subido para a posição de navegador, seu temperamento era precário. Selkirk aparentemente sempre teve dificuldades para lidar com outras pessoas, o que talvez tenha sido precisamente a razão para que aguentasse seu confinamento solitário na ilha com tanto sucesso.David Caldwell, 57, é arqueólogo do Museu Nacional Escocês de Edimburgo. Seu campo em geral é história escocesa, que ele estuda do conforto de seu escritório. Entretanto, quando Daisuke Takahashi, fanático por Robinson Crusoé, pediu-lhe que viajasse com ele para a ilha do pirata abandonado, foi uma oferta que não pôde resistir.O entusiasta Takahashi tinha obtido fundos da National Geographic Society para sua expedição, mas precisava de um verdadeiro acadêmico como seu parceiro. Caldwell certamente era bem qualificado. Duas das relíquias mais famosas de Selkirk estavam na coleção de seu museu: um recipiente para água que o pirata pode ter esculpido ele mesmo, e um baú do Norte da Itália, que Selkirk teria capturado no Mediterrâneo, segundo Caldwell.Os dois homens passaram mais de um mês na ilha, que foi oficialmente rebatizada de ilha Robinson Crusoé em 1966. Ainda é um local silencioso que hoje abriga cerca de 600 pessoas, na maior parte pescadores de lagostas. Tem duas ruas de terra e duas dúzias de veículos. Não tem restaurantes nem bares. Cruzeiros ocasionalmente lançam âncora em Robinson Crusoé, na rota das ilhas Galápagos para a Terra do Fogo.A ameaça espanholaCaldwell e Takahashi recentemente descreveram suas descobertas na revista acadêmica "Post-Medieval Archaelogy". Eles escavaram em um ponto que Takahashi, que tinha visitado a ilha antes, acreditava ser o acampamento de Selkirk: uma clareira bem protegida em um morro vulcânico, quase 300m acima do nível do mar, cercada de arbustos. Selkirk escolheu não morar na praia porque era perigoso demais. Apesar de não temer canibais, como fazia Robinson Crusoé no romance, os espanhóis eram uma ameaça. Eles o teriam matado ou escravizado.A equipe logo descobriu os restos de um baú de munição espanhol. Os espanhóis tinham ocupado a ilha em 1750 para impedir que seus inimigos continuassem a usá-la como porto seguro. Entretanto, Caldwell encontrou duas antigas fogueiras mais antigas abaixo da câmara -e ossos carbonizados nelas.Em torno do local, os pesquisadores encontraram buracos na terra que aparentemente tinham acomodado postes. Talvez Selkirk tivesse construído uma cabana ali, conjeturaram. Quando Caldwell peneirou a terra escavada, descobriu a maior evidência da presença de Selkirk: uma peça de bronze angular, com 1,6 cm. Ele não deu importância à descoberta a princípio, até compreender que o formato do metal se encaixava com um braço de um divisório, que era parte do equipamento de navegação de Selkirk.Caldwell acredita que o pirata usou seu divisório como ferramenta e o danificou no processo. Um teste metalúrgico revelou que o metal poderia ter vindo de Cornwall. "Esse é o tipo de evidência forte que raramente se tem na arqueologia", disse o historiador.Diante do acampamento, havia uma forte subida de outros 300 metros para o posto de observação de Selkirk no topo da montanha, onde provavelmente passava várias horas por dia. Se visse um barco, tinha que decidir se pertencia a um amigo ou inimigo. Deveria acender o fogo ou permanecer escondido? Eles viram alguns navios e dois deles, ambos espanhóis, aportaram na ilha -mas ele conseguiu permanecer incógnito.Os primeiros oito meses foram difíceis para Selkirk, um pirata em busca de ouro e aventuras, que caiu em depressão. Entretanto, com o tempo, ele começou a criar um lar.De todas as ilhas nas quais Selkirk poderia ter sido abandonado, essa era praticamente feita sob medida para um sobrevivente. Sua vida logo melhorou, estava melhor do que jamais fora e talvez do que jamais viria a ser. Ele era um prisioneiro, porém mais livre do que nunca.O clima era ameno na maior parte do ano, em geral seco, não havia animais perigosos nem venenosos e havia riachos de água doce. Focas gordas descansavam na praia, lagostas e variedades de peixes ocupavam as lagoas e plantas comestíveis prosperavam na ilha, inclusive morangos silvestres, agrião, uma forma de pimenta e uma planta com gosto de repolho. A única coisa que não havia era sal, como disse mais tarde àqueles que o resgataram.Cabras, gatos e ratosSelkirk não foi a primeira pessoa a morar ali. Em 1575, exploradores espanhóis trouxeram cabras para a ilha, e navios subsequentes trouxeram gatos e ratos, assim como rabanete e nabo. Selkirk domou gatos selvagens para que pudessem defendê-lo contra os ratos que mordiam seus pés à noite. Entretanto, um rebanho de cabras selvagens tornou-se sua maior fonte de divertimento.Caçar cabras tornou-se um esporte para Selkirk. Ele aprendeu a correr mais do que elas e jogá-las no chão enquanto corriam. Ele soltou muitas, mas, conforme contou, matou 500 para comer a carne e tirar a pele. Ele até registrou cada cabra que matou. Para satisfazer sua necessidade de comunicação, Selkirk lia a Bíblia, rezava, meditava e cantava hinos. Ele confidenciou que nunca fora tão bom cristão como na ilha, e duvidava que jamais o seria novamente.Selkirk, com 30 e poucos anos, tinha saúde bem melhor do que os marinheiros que o resgataram. Metade da tripulação tinha contraído escorbuto após uma dura viagem da Inglaterra. Entretanto, Selkirk se movia com facilidade. As solas de seus pés tinham se tornado tão grossas que corria mais do que o cão do barco no terreno pedregoso de sua ilha vulcânica. No princípio, ele não conseguiu vestir sapatos -nem tolerar o rum.Por quase três anos, Selkirk navegou pelo mundo com os piratas que o resgataram. Eles lutavam, roubavam e extorquiam seus inimigos -tudo com a bênção da Coroa, porque suas vítimas eram inimigas do país. No final de 1711, Selkirk voltou para a Inglaterra com uma pequena fortuna. Ele se tornou celebridade instantânea, trocando suas histórias por comida e bebida nos bares. O arqueólogo Caldwell acredita que foi aí que Daniel Defoe o encontrou.Selkirk, porém, estava infeliz no mundo civilizado e sentia falta da sua ilha. Ele teria dito a um jornalista: "Agora tenho 800 libras, mas nunca novamente serei tão feliz como era na época, quando não tinha nenhum centavo". Ele bebia e brigava e casou-se com duas mulheres ao mesmo tempo. Eventualmente, ele fugiu de volta para o mar, desta vez como tenente da marinha.Sua vida chegou a um fim abrupto aos 45 anos. No dia 12 de dezembro de 1721, ele morreu de febre amarela na costa oeste da África, e foi sepultado no mar. Robinson Crusoé já era um sucesso na época. Hoje o trabalho de Defoe é celebrado como o primeiro romance de língua inglesa.Há um mistério de Selkirk que ainda não foi resolvido. De acordo com os relatos de suas viagens, o pirata mantinha um diário em Más a Tierra. O diário também é mencionado em uma carta de uma de suas viúvas. Mas o que aconteceu com suas notas?O arqueólogo Caldwell tem uma teoria. Pouco após a morte de Selkirk, seus escritos caíram nas mãos do duque de Hamilton, o nobre mais rico da Escócia. Quando seus descendentes precisaram de dinheiro, no século 19, eles leiloaram as pinturas e coleções na Christie's, em Londres. O império germânico nascente foi um importante comprador no leilão.A teoria de Caldwell sugere que, se o diário do verdadeiro Robinson Crusoé ainda existe, deve estar em algum lugar em Berlim hoje. "Especularia que está em uma prateleira esquecida na Biblioteca Estadual de Berlim - Herança Cultural Prussiana", diz Calwell.
Tradução: Deborah Weinberg

quinta-feira, 5 de março de 2009

Por que o mar tanto chora

Era uma vez uma rainha que estava casada havia muito tempo e nunca tivera um filho. “Meu Deus, permita que eu engravide, nem que seja para dar à luz uma serpente”, ela rezava noite e dia. Até que por fim Deus ouviu sua prece e lhe concedeu uma filha, que nasceu com uma cobra enrolada no pescoço.
A princesa recebeu o nome de Maria e, assim que aprendeu a falar, chamou a cobra de Dona Labismina. As duas eram grandes amigas. Passeavam muito pela praia, nadavam juntas, brincavam. Às vezes, Maria deixava Dona Labismina mergulhar sozinha, mas, se ela demorava a voltar, punha-se a chorar em grande aflição.
Um dia, a cobra entrou no mar e desapareceu. Antes, porém, disse à princesa que, se estivesse em perigo, bastaria chamá-la.
Anos depois, a rainha de um país vizinho adoeceu. Quando estava prestes a morrer, tirou um anel do dedo e o entregou ao rei, seu marido, dizendo-lhe: “Se você se casar de novo, escolha uma princesa em cujo dedo caiba este anel direitinho”.
Tão logo ficou viúvo, o rei, que era um homem velho, feio e rabugento, resolveu procurar uma noiva. Mandou o anel para todas as princesas do mundo experimentarem, e ele não coube em nenhum dedo.
Então descobriu que uma princesa ainda não o experimentara: Maria. Foi visitá-la em seu palácio e sem a menor dificuldade colocou-lhe o anel no dedo. Maria não queria se casar com aquele homem horroroso, mas seus pais exultaram, pois o viúvo era imensamente rico.
O casamento foi marcado para breve. A pobre noiva, desesperada, chorou dias a fio, até que se lembrou do que Dona Labismina lhe dissera ao se despedir. Foi então para a praia, chamou sua amiga fiel e lhe contou o que estava acontecendo. “Não se preocupe”, a cobra falou. “Diga ao rei que só se casará com ele se lhe der um vestido da cor da mata com todas as flores.”
Maria fez exatamente como Dona Labismina recomendou. O velho ficou muito aborrecido, mas, como estava encantado com a beleza da noiva, prometeu que lhe daria o tal vestido. Demorou bastante tempo, porém acabou cumprindo a palavra.
“E agora, o que vou fazer?”, a princesa perguntou a cobra. “Diga-lhe que só se casará com ele se lhe der um vestido da cor do mar com todos os peixes”, respondeu a boa amiga.
O rei se aborreceu ainda mais, porém fez de tudo para atender à exigência da noiva. E lá se foi Maria novamente pedir socorro a Dona Labismina. “Diga-lhe que só se casará com ele se lhe der um vestido da cor do céu com todas as estrelas”, recomendou a cobra.
Ao tomar conhecimento desse novo capricho, o rei ficou terrivelmente irritado, mas, como nas outras vezes, prometeu satisfazê-lo e não deixou de cumprir a promessa.
Desesperada, a princesa correu para a praia, onde sua fiel amiga já a esperava, com um barco a postos. “Fuja, depressa!”, disse-lhe Dona Labismina. “Este barco a levará para um reino distante, onde você se casará com o filho do rei. No dia do seu casamento, vá até a praia e me chame três vezes, para que meu encantamento se rompa e eu também seja princesa.”
Maria partiu e, conforme a cobra informara, foi ter a um reino distante. Sem recursos para se manter, dirigiu-se ao palácio e pediu emprego. Encarregaram-na de cuidar do galinheiro.
Pouco depois, realizou-se na cidade uma grande festa anual, que durava três dias. A família real e os fidalgos da corte saíram para festejar com o povo. Maria recebeu ordens de ficar com as galinhas, porém, assim que se viu sozinha, pôs seu vestido da cor da mata com todas as flores, pediu a Dona labismina uma linda carruagem e também foi à festa.
Todos os que viram se maravilharam com sua beleza, principalmente o filho do rei, mas ninguém a reconheceu. Maria se divertiu por algumas horas e voltou para o palácio. Estava em seu canto, toda esfarrapada, quando o príncipe chegou. “Você viu aquela beldade?”, o rapaz perguntou à mãe ao descer da carruagem. “Não acha que se parecia com a moça que cuida de nosso galinheiro?” A rainha franziu a testa, surpresa: “Imagine! A moça do galinheiro vive suja e maltrapilha...”
O príncipe deixou os pais entrarem e foi falar com Maria. “Hoje vi lá na festa uma jovem muito parecida com você...” Corando até a alma, a pobrezinha murmurou: “Por favor, Alteza, não zombe de mim!”
No dia seguinte, depois que todos saíram, Maria pôs seu vestido da cor do mar com todos os peixes e foi se divertir um pouco.
Perdidamente apaixonado, o filho do rei perguntou a uns e outros quem era aquela beleza, mas ninguém soube lhe dizer.
No terceiro dia de festa, Maria usou seu vestido azul da cor do céu com todas as estrelas e, quando ia se retirar, recebeu do príncipe uma jóia.
Encerrados os festejos, o filho do rei caiu numa tristeza de dar pena. Passava o tempo todo na cama, suspirando, e se recusava a comer. Sem saber mais o que fazer, a rainha ordenou à moça do galinheiro que preparasse uma canja bem suculenta. Maria obedeceu sem pestanejar e, antes de mandar a tigela de canja para o príncipe, colocou dentro o presente que ele lhe dera. Ao tomar a primeira colherada, o rapaz encontrou a jóia e saltou da cama, gritando: “Estou curado! Minha amada é a moça do galinheiro!”
A rainha chamou Maria, que se apresentou usando o vestido da cor do céu e naquele mesmo dia se casou com o príncipe.
Zonza de felicidade, a jovem se esqueceu de ir até a praia e chamar três vezes por sua fiel amiga. Assim, Dona Labismina nunca se libertou de seu encantamento, e é por isso que o mar tanto chora.

PHILIP, Neil (org.). Volta ao mundo em 52 histórias. Tradução de Hildegard Feist. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1998. p.46-9.