segunda-feira, 21 de julho de 2008

Quando eu vi você
Tive uma idéia brilhante
Foi como se eu olhasse
De dentro de um diamante
E meu olho ganhasse
Mil faces num só instante.

Paulo Leminsky
Quando eu vi você

Tive uma idéia brilhante

Foi como se eu olhasse

De dentro de um diamante

E meu olho ganhasse

Mil faces num só instante.


Paulo Leminsky

Grande lição!

Poema da gare de Astapovo

O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
Contra uma parede nua...
Sentou-se ... e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Glória,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E entao a Morte,
Ao vê-lo tão sozinho aquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali a sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se até não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!

Mário Quintana
Quero voltar a ser eu


Eu, que era eu – sim, porque eu já fui eu -, cheguei à triste conclusão de que não sou mais eu. Meu nome, que, por isso mesmo, já esqueci, não interessa a mais ninguém. Para um médico, por exemplo, sou apenas o cliente. Num restaurante, sou freguês. Quando alugo uma casa, viro inquilino. Na condução, passageiro. Nos correios, sou remetente. Num supermercado, consumidor. Para o imposto, sou contribuinte; com o prazo vencido, viro inadimplente. Para votar, sou eleitor; mas, num comício, sou massa. Viajar? Viro turista. Na rua, caminhando, sou pedestre; se me atropelam, sou acidentado; no hospital, paciente; para os jornais, sou vítima. Se compro um livro, viro leitor; para o rádio sou ouvinte; para o Ibope, espectador; e, para o futebol, eu, que já fui torcedor, virei galera.Já sei que, quando eu morrer, ninguém vai se lembrar do meu nome. Vão me chamar de “o finado”, “o extinto”, “o falecido”, e, em certos círculos, até de “o desencarnado”. Só espero que o padre, na missa de sétimo dia, não me chame de “o sucumbido”. Logo a mim, que, no meu apogeu, já fui mais eu.
Max Nunes. O pescoço da girafa. São Paulo, Companhia das Letras, 1998

domingo, 20 de julho de 2008

PRODUÇÃO DE TEXTO: UM TEXTO LEVA A OUTRO

Releia o Poema de Circunstância, presente no seu livro didático, página 63. Em seguida, leia o poema abaixo.

Cimento armado

Batem estacas no terreno morto,
No terreno morto surge vida nova.
As goiabeiras do velho parque
E os roseirais, abandonados,
Serão cortados
E derrubados.


Um prédio novo de dez andares,
Frio e cinzento,

Terá seu corpo de cimento armado
Enraizado no velho parque
De goiabeiras
De roseirais.



Batem estacas no terreno morto.
Século vinte...
Vida de aço...
Cimento-armado!


Batem as estacas
No prédio novo, de dez andares,
Terraços tristes,
Pássaros presos,
Rosas suspensas,
Flores da Vida
Rosas de dor.

Paulo Bonfim in Alda Beraldo, Trabalhando com poesia. São Paulo, Ática, 1990.


Como já vimos em nossos cursos, o texto poético apresenta conteúdo e forma. O conteúdo representa as idéias exploradas pelo autor. A forma é a maneira como o texto foi escrito: prosa ou verso; sendo em verso, a disposição de versos e estrofes na folha.
Mário Quintana e Paulo Bonfim, autores dos poemas que você acabou de ler, exploraram o mesmo conteúdo, abordaram o mesmo assunto: o homem chega e derruba tudo, para construir mais prédios, poluir o ar e matar a natureza. A forma escolhida foi o verso.
Em ambos os poemas, os autores falam do prédio como se ele fosse um ser vivo. Este é um ponto em comum; há vários outros. Há, porém, especificidades em cada obra.
Caberá a você produzir um pequeno texto falando acerca das semelhanças e diferenças presentes nos dois poemas estudados.
Leia essa história de susto e veja só o que aconteceu com um viajante solitário numa noite escura.



Gaspar, eu caio!



1 Noite escura no mato. Estrada de terra sem vivalma. O vento gemendo pelos galhos e as nuvens passando nervosas, querendo chover.
2 Um homem vem vindo lá longe. Devagarinho. Sem lua nem estrela para iluminar a viagem.
3 Vem de sacola pendurada no ombro e, na mão, um pau de matar cobra.
4 Trovoada. Os pingos da chuva principiam a cair. O viajante aperta o passo. Na curva, dá com uma casa abandonada. Cai um raio de despedaçar árvore. A chuva aperta. Na porta da tapera tem uma cruz desenhada. O homem não quer saber de nada. Mete o pé na porta e entra.
5 Dentro, um pouco de tudo. Pedaços de mobília, tigelas, troços e trecos jogados no escuro.
6 O viajante faz fogo.
7 Agachado, tira um pedaço de carne da sacola e bota para assar. Está morto de fome. Deita no chão e solta o corpo, esperando a comida ficar pronta.
8 A chuva vai minguando. 0 mato fica quieto.
9 De repente, o telhado range. De lá de cima, um gemido rabisca o ar:
10 - Gaspar!
11 O homem estremece. Aperta os dentes. A luz do fogo é fraca. Não dá para ver nada.
12 A voz chama e chama.
13 - Gaspar!
14 Já passa da meia-noite. Quem será? A voz insiste:
15 - Gaspar!
16 O viajante pensa em fugir. Mas, e a carne? E o frio? E a chuva ameaçando cair? Encolhido num canto, o homem arrisca:
17 - Quem está aí?
18 A voz, no telhado, continua grossa:
19 - Gaspar!
20 - Quem está aí?
21 - Gaspar!
22 - Quem está aí? - pergunta o homem.
23 A voz então diz:
24 - Gaspar ... Eu caio!
25 - Pois caia! - responde o viajante.
26 Estrondo. Espanto. Uma coisa despenca lá de cima - catapram - e cai no chão.
27 Os olhos do homem crescem de pavor.
28 É um pé. A ossada de um pé. E vem com os dedos mexendo!
29 A voz bóia no ar:
30 - Gaspar!
31 O homem treme.
32 - Eu caio!
33 - Pois caia! - grita o homem de novo.
34 Catapram. Vem outro pé. Cai e vai se arrastando para junto do primeiro.
35 - Gaspar!
36 O viajante respira curto. A cada resposta sua, desabam do forro pernas, coxas, tronco, braços e mãos de um esqueleto que vai se formando no chão.
37 O esqueleto começa a dançar.
38 A luz do fogo desenha sombras estranhas no casebre.
39 - Gaspar! Gaspar! Gaspar!
40 A voz grossa voa cada vez mais alto.
41 - Eu caio!
42 - Pois caia! - berra o viajante, sentindo sua hora chegar.
43 E então - ploct - uma cabeça cai lá do alto. Meio de medo, meio de raiva, o homem chuta a caveira longe.
44 0 corpo descarnado fica zangado. Pára a dança, agacha e, cuidadoso, enfia o crânio no pescoço. Depois, lambuza a carne que assa no fogo com seu cuspe escuro.
45 O sangue do viajante ferve. Estava morto de fome. A carne era tudo o que havia para comer. O homem cata o pau de matar cobra.
46 - Pra mim chega! - De olhos fechados, mergulha sobre o esqueleto dando soco e pancada. 0 morto gargalha. Os dois rolam atracados pelo chão da tapera.
47 A luta vara a noite. O homem bate, chora e sangra. O esqueleto range os dentes.
48 Os dois quebram tudo, apagam o fogo com o corpo e vão parar do lado de fora, rugindo na lama.
49 O tempo passa. Um golpe seco estala no mato. Silêncio.
50 O morto suspira e cai.
51 O viajante continua de pé, vitorioso. Passa o braço machucado sobre o rosto.
52 Do chão, a caveira pede para o homem cavar um buraco no pé de uma árvore.
53 O homem responde:
54 - Nem nunca!
55 Em seguida, vai até a árvore e trepa num galho bem alto.
56 Abatido, o esqueleto pega e cavuca ele mesmo. Tira do buraco fundo um tacho cheio de ouro e prata. Depois, olhando para o homem pendurado na árvore, solta um gemido e some no vento.
57 O viajante fica onde está. Manhã nascendo no mato. Seu peito mexe com força, indo e vindo. Olha as mãos sujas de sangue. Estrada de terra sem vivalma. A roupa rasgada. O suor. O sol avermelhado sopra uma brisa quente entre as folhagens. O homem sente o corpo doído e leve. Olha a tapera. Tem vontade de rir, cantar, conversar com alguém. Salta aliviado do galho, junta as coisas e vai embora.

Ricardo Azevedo. Meu livro de folclore. São Paulo: Ática, 1999, p. 33-38. (Conto da tradição popular)





Estudo do texto:


1. Releitura do 2º parágrafo.




a) Entre os adjetivos a seguir, escolha aquele que melhor caracteriza o personagem neste trecho.

“Um homem vem vindo lá longe. Devagarinho. Sem lua nem estrela para iluminar a viagem.”

assustado - agitado - alegre - medroso - tranqüilo






b) Que palavra desse parágrafo lhe permitiu fazer essa escolha?

2. No 4º parágrafo, o cenário se altera: “trovoadas acontecem e a chuva principia a cair”.



Como você caracteriza o personagem nesse parágrafo?

3. O primeiro personagem que aparece no texto é chamado de “homem” (2º parágrafo), “viajante” (4º parágrafo) e, depois, de “Gaspar” (10º parágrafo). O segundo personagem também é identificado de várias maneiras. O primeiro sinal dele ocorreu no 9º parágrafo: “um gemido”.

a) Releia o texto a partir do 12º parágrafo e responda: de que maneiras o 2º personagem é chamado?


b) Por que o 2º personagem não foi identificado como uma caveira desde o início?

4. Quando Gaspar ouve seu nome sendo chamado, ele sente medo e pensa em fugir.
Escreva abaixo dois motivos que o fizeram permanecer na casa abandonada, apesar da voz insistente?

5. No 43º parágrafo, Gaspar reage chutando a caveira quando se vê diante da cabeça que completa o esqueleto. Quais são os dois motivos que o levaram a agir dessa forma?



Aspectos lingüísticos:

1. Leia os textos a seguir e indique se eles utilizam linguagem verbal, linguagem não verbal ou linguagem mista.














ESTACIONAMENTO

2. Como as plantas e os animais, também as pessoas podem se comunicar, dizer o que pensam e o que sentem, sem utilizar palavras. Escreva a seguir seis maneiras diferentes de uma pessoa se expressar sem usar a palavra escrita ou falada.



3. Há mais de dois mil anos, os romanos já diziam que Verba volent, scripta manent (A fala voa, a escrita permanece).
Eles tinham razão? Comente.



4. A seguir, você vai reler trechos do texto Salvos pela “roda” . Nele há oito palavras proparoxítonas, que não estão acentuadas. Encontre-as e as acentue corretamente.


“O aumento do numero de recém-nascidos abandonados tem feito alguns países da Europa reviver uma pratica medieval: a “roda dos enjeitados. O berço é aquecido e equipado com sensores que alertam medicos e enfermeiros sobre a presença da criança. Na noite do ultimo dia 24, o primeiro bebê foi deixado ali. A “roda dos enjeitados” foi criada em Marselha, na França, em 1188. Mas foi apenas na decada seguinte que seu uso se popularizou. No fim do seculo XIX, o Hospital Santo Spirito, proximo ao Vaticano, chegou a receber cerca de 3000 bebês abandonados por ano. Um dos mais famosos usuários da “roda” foi o filosofo Francês Jean-Jacques Rousseau.

5. Todas as palavras presentes na lista abaixo são oxítonas. Porém, apenas algumas possuem acento. Reflita um pouco e ponha adequadamente os acentos que faltam.


porem
tataravo
jilo
alguem
engolir
frances
caju
alem
chuchu
engoli
Andre
umbu
Parana
apos
jacare
voce
podera
mirim
Parati
investigador


6. Das características a seguir, assinale a única que pertence à língua escrita.


( ) Maior repetição de palavras e redundância de idéias.
( ) Predominância de frases curtas e simples.
( ) Tendência à não utilização de marcadores próprios de conversas.
( ) Tendência ao uso de gírias e expressões populares.

Sucesso!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Boa adaptação. É ideal pra ler quando estiver bem perto o Natal.

SINOPSE

Durante toda a sua vida adulta, o avarento Sr. Scrooge detestou o Natal e o comportamento das pessoas nessa época do ano. Agora é novamente véspera de Natal e ele se prepara para "comemorar" a data à sua maneira: mal-humorado e sozinho. Mas fatos estranhos lhe mostram que talvez esteja na hora de ele dar uma oportunidade ao espírito de Natal - antes que seja tarde demais...