sexta-feira, 31 de julho de 2009

Toada

Fui sempre um homem alegre.
Mas depois que tu partiste,
Perdi toda a alegria:
Fiquei triste, triste, triste.

Nunca dantes me sentira
Tão desinfeliz assim:
É que ando dentro da vida
Sem vida dentro de mim.


BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986. p.413-4.


quinta-feira, 30 de julho de 2009

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?

Cecília Meireles

Versos que eternizaram Campina Grande.

Tropeiros da Borborema

Composição: Raimundo Asfora / Rosil Cavalcante

Consagrada na voz de Luis Gonzaga

Estala relho marvado
Recordar hoje é meu tema
Quero é rever os antigos tropeiros da Borborema

São tropas de burros que vêm do sertão
Trazendo seus fardos de pele e algodão
O passo moroso só a fome galopa
Pois tudo atropela os passos da tropa
O duro chicote cortando seus lombos
Os cascos feridos nas pedras aos tombos
A sede e a poeira o sol que desaba
Rolando caminho que nunca se acaba

Estala relho marvado
Recordar hoje é meu tema
Quero é rever os antigos tropeiros da Borborema

Assim caminhavam as tropas cansadas
E os bravos tropeiros buscando pousada
Nos ranchos e aguadas dos tempos de outrora
Saindo mais cedo que a barra da aurora
Riqueza da terra que tanto se expande
E se hoje se chama de Campina Grande
Foi grande por eles que foram os primeiros
Ó tropas de burros, ó velhos tropeiros.

Aula de Leitura

A leitura é muito mais
do que decifrar palavras.
Quem quiser parar pra ver
pode até se surpreender:
vai ler nas folhas do chão,
se é outono ou se é verão;
nas ondas soltas do mar,
se é hora de navegar;
e no jeito da pessoa,
se trabalha ou se é à-toa;
na cara do lutador,
quando está sentindo dor;
vai ler na casa de alguém
o gosto que o dono tem;
e no pêlo do cachorro,
se é melhor gritar socorro;
e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;
e no tom que sopra o vento,
se corre o barco ou vai lento;
também na cor da fruta,
e no cheiro da comida,
e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo,
e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso,
vai ler nas nuvens do céu,
vai ler na palma da mão,
vai ler até nas estrelas
e no som do coração.
Uma arte que dá medo
é a de ler um olhar,
pois os olhos têm segredos
difíceis de decifrar.

Ricardo Azevedo. Dezenove poemas desengonçados. São Paulo, Ática, 1999.


Problemas de cálculo


Qual o limite do sonho?
Qual o nível da beleza?
Quantos metros tem o amor?
Que peso tem a tristeza?

Qual o cálculo da culpa?
Qual a extensão do saber?
Que largura tem o tédio?
Quantos graus tem o prazer?

Que ordem tem a loucura?
Qual o tempo do brinquedo?
Quanto cria a invenção?
Que medida tem o medo?

Que força tem a vontade?
Qual o espaço do desejo?
Qual o limite do carinho?
Que tamanho tem um beijo?

Quanto alcança a esperança?
Que preço tem a idade?
Qual a espessura da dor?
Quanto custa a liberdade?


Ricardo Azevedo. In “Ninguém sabe o que é um poema”, Ed. Ática


Relação das 13 proparoxítonas cujos acentos foram retirados no texto sobre o nadador César Cielo:

Itálico

sábado
Itálico
Aquáticos
histórica
lágrima
único
olímpico
últimos
centésimos
fenômeno
dúvidas
rápidas

Neste texto, extraído do portal G1, há 13 palavras proparoxítonas, que estão sem acento gráfico. Você consegue encontrá-las?

30/07/09 - 13h41 - Atualizado em 30/07/09 - 19h04


Com fome de ouro, César Cielo brilha e quebra o recorde mundial nos 100m livre

Dois dias antes de disputar sua prova favorita, brasileiro dá show no Foro Italico e garante ao país a primeira vitória em Mundiais desde 1982

Lydia Gismondi
Direto de Roma

César Cielo tem pressa. Para alguém tão acostumado à velocidade, a final dos 50m livre no sabado ainda parece um futuro distante. E se a prova favorita demorava a chegar, Cielo resolveu descontar a pressa nos 100m. Azar dos concorrentes. Em 46s91, o brasileiro foi e voltou na piscina do Foro Italico para bater o recorde mundial da prova e garantir o primeiro ouro do país no Mundial de Esportes Aquaticos, em Roma.
Com o peito vermelho, Cielo vibra: quase um ano após Pequim, o brasileiro brilha de novo

Na cerimônia de premiação, Cielo subiu no palanque branco com um largo sorriso no rosto. Abraçou os franceses Alain Bernard e Frederick Bousquet, que completavam o pódio, e recebeu sua historica medalha de ouro. Cantou o Hino Nacional até a metade, e a partir dali se dedicou à missão de segurar o choro. Foi por pouco tempo. Quando a primeira lagrima caiu, as arquibancadas explodiram em aplausos para o maior nadador brasileiro de todos os tempos.

Lá se iam 27 anos desde que o país conquistou seu último – e até então unico – ouro em Mundiais. Foi com Ricardo Prado, em 1982, no Equador. Aos 17 anos, ele nadou os 400m medley em 4m19s78 e bateu o recorde mundial. Cielo, no entanto, é o primeiro brasileiro a ser campeão mundial e olimpico.

Favorito para vencer a prova, Alain Bernard conquistou a prata com 47s12, e o bronze ficou com Frederick Bousquet em (47s25). Cielo virou os primeiros 50m em segundo lugar (22s17), atrás de Bousquet (22s14), que perdeu duas posições na segunda metade da disputa. Cielo apertou o ritmo nos ultimos metros e, por 21 centesimos, garantiu o ouro e o recorde mundial. A marca anterior era do australiano Eamon Sullivan, com 47s05. O brasileiro Nicolas Oliveira também disputou a final, mas terminou em oitavo, com 48s01.

Cielo passa a ser o primeiro nadador da história a nadar a prova abaixo dos 47 segundos. Alain Bernard também tinha conseguido o feito, mas seu recorde não foi homologado pela Federação Internacional de Natação, já que o maiô não estava aprovado.

Assim que bateu em primeiro, Cielo arrancou a touca e vibrou muito olhando para as arquibancadas. Com o peito todo vermelho, fruto dos tradicionais tapas antes da prova, o brasileiro deixou a piscina exausto, com as pernas doendo, mas com a certeza do dever cumprido. Exausto, ele festejou o feito.

- É sensacional. São dois anos na minha carreira para entrar para a história. Cresci assistindo ao Gustavo Borges nadando essa prova, não tem nada igual. É um sonho sendo realizado. Estou doendo muito agora, minha perna dói, está difícil até de pensar. Valeu a pena. Deu certo de novo. Agora é comemorar com a maior alegria que eu poderia ter - afirmou Cielo, com a fala ofegante e o sorriso aberto.


Logo após a prova, o americano Michael Phelps, que abriu mão da disputa, dava entrevista a uma rede de TV dos Estados Unidos. Questionado sobre a decisão de não nadar os 100m livre, ele afirmou.

- Acabei de ver o César Cielo nadar e tive uma certeza: eu não ganharia esta prova de jeito nenhum.

A esta altura, nem o fenomeno da natação mundial tem duvidas sobre quem é o melhor do planeta em provas rapidas.


Respostas aqui!


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